De que adianta chorar nos ombros daqueles que são despreocupados da minha realidade? Desabafos não são suficientes para fazerem ideia do que venho passando nos últimos anos.
E se faço menção do autor de meu desespero, me julgam mal, pois não carrego os anos da experiência para sempre ter razão, é verdade.
Mas se os jovens são tão tolos e desmerecidos da razão, eu pergunto: E quando a idade era jovem? Será que os argumentos ditos aos gritos fariam tanto sentido como são proferidos nesse instante? Mas é claro que fariam.
Já não há o senso da igualdade nessas questões há muito tempo. E os herdeiros do repúdio nadam na corrente que vai direto para as pedras. Sorte de quem não agonizou em sua morte e se foi sem encarar os olhos do sacrifício.
Até mesmo a idade está corrompida, sendo que jamais fora livre para dizer o que sentia, repeliu seu sentimento a não ser o pessimismo que atinge todos os caminhos, exceto sua própria rota.
E eu lhes pergunto se esses dias irão terminar de uma vez ou se o tempo dirá quando for o momento certo para começar a andar.O tempo anda, corre, se apressa e para. Doente de tanto esperar por sua maratona que atrasou. E esse desespero é tolo e meticuloso, pois veste máscaras diversas, tanto que nem mesmo dois anos são suficientes para mostrar todo seu vestuário.
Há tantos hematomas em meu corpo que é preciso saber onde observá-los. Uns estão invisíveis até para meus mais sólidos confidentes e outros escancarados e gritantes, esperando serem invadidos pelos companheiros, para enfim se deitar e chorar. Pelo dia que se fora sem ser realmente vivido.
A ânsia que aos poucos clamava por oxigênio, agora vira soluço e se afoga nesses mares de incertezas. O horizonte está muito distante e jamais sentirá um afago que desperte a validade de seu viver, talvez daqui uns anos quando o silêncio encher o frasco da esperança macabra. Deixo que julguem o quanto quiserem, a realidade de cinismo pouco me importa.
Mas não pense que essas artérias são justas pelo fato de existir, não. Já que pouco se fala nisso, por que entender o desnecessário? Seria como atravessar um labirinto com paredes imaginárias, diferente da realidade aqui vivida.
As paredes só não são mais sólidas do que o desprezo que nasceu no resquício de um nome que pouco importa agora.
Memórias do meu tempo de existencialista convicto vieram à tona. Hoje coloquei minha existência à venda. Não sei muito bem o que isso quer dizer mas foi o que esse texto maravilhoso me fez escrever. Tu existe mesmo? Parece o tipo de guria que eu inventaria pra conversar, uma amiga imaginária...
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