Olívia havia telefonado e já era tarde da noite. Danny lia um livro sob a luz amena de seu quarto.
Uma vez ou outra, tinha a impressão de que a luz piscava, um segundo depois, estava tudo claro de novo. Às vezes, achava que a luz que ia embora, era a luz de sua cabeça.
─ Consegui aquele encontro com o escritor! Anote o endereço.
Apalpar objetos naquele tipo de luz era um desafio.
─ Pode falar.
Pelo que havia anotado, julgou ser um café típico de São Paulo. Arriscava conhecer o local pelo nome. Seus olhos pairaram, fitando o contorno contrastante de tinta sob o papel, do contorno para as letras, das letras para o papel.
Suas orbes pulsavam, como se o sangue de todo o seu corpo tivesse sido transportado para os olhos.
Sentia um vibrar, a sensação morna que os cobertores lhe presenteavam era relaxante.
A íris de seus olhos dançava, admirando as letras, os números, a informação.
Embriagava-se sem total controle, queria segurar o tempo. O relógio, de repente, pareceu-lhe perturbador. Como se cada badalada fosse única, nunca mais iria voltar, não a mesma.
Estava em outro lugar.
Ele sabia que não era o seu quarto, no fundo, esperava sentir cheiro de comida. Mas não sentiu. O odor era outro.
Suas pernas tremiam em sintonia com um desespero extasiante.
Naquela pequena sala, no velho sofá torto, de couro encardido e pesado, esperava por uma resposta, uma resposta que poderia mudar sua vida.
Mas o que realmente poderia mudar? Se a certeza fosse certa, não existiria o talvez, sem o talvez, o não seria incompleto.
As dobradiças enferrujadas de uma porta rangiram, a sombra de alguém começava a clarear.
Foi o sol, que interrompeu o abrir e fechar de lábios de uma boca seca, desgastada de belas palavras.
Estava suando, a camisa do pijama azul colada em suas costas. Seus dedos estavam dormentes, e quando foi movimentá-los quase cortou-se.
Encontrou um papel, de letras pretas, pouco borradas com seu suor.
Agradeceu mentalmente à amiga, o endereço contemplado na noite passada não era uma saleta.
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Coming soon
E se o mundo mudasse? É, parece que muita gente anda acreditando na teoria bizarra de 2012. Não os julgo e nem concordo. Também não quero falar disso. Durante esses dias, tenho notado o quão eles parecem ser iguais. Deve ser a rotina que voltou. Eu sempre bato na mesma tecla, várias vezes disse que rotina é algo ruim. Ela não é tão ruim quanto eu pensei. Não, eu não achei nada que possa fazer a minha rotina mudar, até porque, se ela mudasse sempre, deixaria de ser rotina, não é? Ainda é cedo para decidir as coisas, mesmo eu achando que é extremamente tarde. Ainda é inverno e eu ainda me preocupo com a droga de verão efervescente que logo virá. Eu me preocupo demais, e não é porque eu quero. Se de alguma forma essa preocupação pudesse ir embora, eu agradeceria a quem fizesse este enorme favor para mim. O tempo realmente está passando, talvez eu esteja me sentindo velha. Eu não sou velha, mas me sinto como uma. Como se em dois anos eu tivesse crescido uns dez. Espero que eu não fique com uma mentalidade de vinte anos ainda no colegial. As pessoas já me acham muito diferente. Eu não vou bancar a freak e dizer que ninguém me entende. Também não vou dizer o quão queria que mais pessoas parecidas comigo convivessem em meu cotidiano, elas estão longe demais para que isso aconteça. Tive sonhos esquisitos essa semana, eles estão começando a fazer sentido. Essa corrida tem parecido aquelas em que as pessoas apostam no cavalo mais bonito. Neste caso, parece que o cavalo sou eu e a pista é a minha vida.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Summer nights
Eu gosto das férias. É que ficar tanto tempo em casa, fazendo as mesmas coisas é cansativo. E mesmo que eu não viage, acabo saindo de meu quarto em meus pensamentos. Já pensou se só com a força do pensamento, a gente pudesse visitar os lugares que mais queremos? Há pessoas que adorariam comer uma macarronada em um restaurante da Itália. Há também os apaixonados, que não pensariam duas vezes para subir na torre Eiffel para dar aquele beijo de arrancar o fôlego! Desvendar os mistérios da Esfinge no Egito. Visitar os museus ingleses e beber aquele chá das cinco na Inglaterra. E as praias da Califórnia? Minha nossa, aquela areia clarinha, macia e aquecida pelo sol. Um safári na África não seria má idéia, um jipe quebrado e "pernas pra que te quero" para fugir do leão. Consegue sentir tudo isso? Ah, se pudéssemos tocar o mundo com os dedos de vez em quando, só para fugir da rotina que temos de enfrentar. Vai ver é por isso que adoramos tantos as férias. Deixamos a rotina de lado, e o dia de amanhã será melhor que esse, mais divertido, ninguém pode saber! Tudo é tão imprevisível! Qualquer coisa pode acontecer, e nós, meras pessoas, não podemos evitar nada. Com essa última semana em casa, (não vou dizer que descansei, parece que nas férias, as pessoas pensam que você está em casa só para ajudar em certas tarefas. Deveríamos ter férias das tarefas que fazemos nas férias!) eu tenho pensado que um dia, não muito perto, e nem muito longe, as coisas irão se acertar. O bom das férias é que você tem um pouco de tempo, e esse tempo foi bem aproveitado, pelo menos pra mim foi! Novas pessoas, novos assuntos, novos interesses, conhecimentos e opiniões! É tão maluco pensar que em poucos minutos, iremos conhecer alguém e num passe de: "Olá, tudo bem?" Fazemos uma amizade de muitos e muitos anos. Mentes insanas, mundo maluco, mas nós somos felizes por sermos assim! E esse inverno que congela a alma, hein? Não preciso dizer que estou adorando mais e mais. Só fico pensando quando ele for embora, o quê farei sem meus casacos e jaquetas? Verão bandido!
terça-feira, 20 de julho de 2010
Bad people.
Eu gostaria de saber onde está o sarcasmo das coisas. Parece que ser irônico hoje está tão na moda quanto o jeito idiota de ser. Já reparou que ao sair na rua, se você sorri para alguém, esse alguém será tão babaca ao ponto de achar que está flertando? Já não se pode sorrir para ninguém sem que a maldade penetre na mente das pessoas. Recentemente eu vi que a amizade é um tanto perigosa. Nos envolvemos com pessoas que um dia sorriem, outro dia estão falando seus segredos para outras, elas riem de ti pelas costas. Para mim isso é covardia. E covardia é uma das qualidades que eu mais abomino em meu campo de amizade. Sim, a amizade é um campo minado. Se você não tomar cuidado, acaba explodindo com a falsidade dos amiguinhos. A melhor forma de evitar isso, é a desconfiança. Podem até reclamar que você desconfia de tudo e de todos, mas todos são assim. Quando alguém fala: "Não confia em mim?" Já está se entregando, pois admite que fez algo errado e não merece a confiança dos outros. Esse texto não foi escrito para alguém concordar ou discordar, foi um pensamento que eu gostaria de registrar antes que eu me esquece. De vez em quando eu acabo esquecendo de escrever coisas que gostaria de lembrar.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Old times.
Para os amantes da arte, hoje eu irei lhes perguntar uma coisa. E se você não for um artista, mas sim um simples apaixonado pelo tempo, também irá me entender. Conhecem o efeito "foto antiga" de alguns programas para edições de fotos? Pois bem, eu imagino que lá para os anos noventa, tudo era assim. As pessoas eram simpáticas, ouviam coisas boas, os cabelos das garotas tinham um corte diferente. Notaram que ninguém precisava alisar o cabelo? As pontas eram desfiadas, os rapazes só se importavam com carros e jaquetas de couro. Quem tinha a maior cara de machão, levava a gata para ir ao cinema na sessão da matinê. E quem sabe, muito raramente, ganharia um beijo na porta da casa dela. E isso não é cena de cinema, acontecia mesmo. Eu acho que o ar era amarelado, bem parado. Como se ele pudesse andar por aí, derretendo as frustrações dos jovens. Porque levar um F em qualquer redação era um caos para os pais. Mas a festa continuava para os jovens. Bebidas, cigarros, discos, couro, all star, drogas, sexo. Tudo estava relacionado com a falecidade de cada um deles. O mundo estava mostrando as suas primeiras injustiças, mostrava também a capacidade de fazer as pessoas voarem. Eu sinto saudades dos carros com bancos de couro, tão personalizados quanto seus donos. Sinto falta de como era bacana beber até a madrugada com os amigos, sem se importar se amanhã era segunda ou terça-feira. Os álbuns de figurinha, os lançamentos de músicas inéditas nas rádios. Porque nesse tempo não existia celular, mp3 ou computadores. Os ouvintes ligavam e choravam pedindo alguma canção amada. Imploravam por ingressos de shows que jamais foram esquecidos. Cantavam alguma canção no meio da rua. Um começava sempre, e quando os outros notaram... eram milhares de pessoas cantando a mesma coisa, como se fosse um hino. O hino da liberdade. As fitinhas nos pulsos gritavam pela paz e pelo amor. As cafeterias eram lotadas, todos queriam um café depois do trabalho. Andar de bicicleta era o meio de transporte mais rápido e seguro, e se você caísse... era só passar um remédio que era vermelho, parecia sangue. Ardia demais. Em dois dias já estava sarado. As fotos antigas provam o que estou dizendo. Os bailes formaram os casamentos de quarenta e tantos anos que vemos hoje. As praças eram mais verdes, as árvores mais fortes. As flores mais puras, os pássaros cantavam mais. O chocolate era mais doce. O cheiro da chuva era mais intenso. A luz da lua era mais brilhante e romântica. O colégio era uma boa fase. As fotos eram momentos. Os namorados eram loucos. As festas viciantes. O leite da Parmalat era único. Saudades desse tempo, dessa época que eu nunca vivi.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A day to remember.
Os dias comemorativos são importantes para quem? Fanáticos pelo natal? Profissionais frustrados por ganharem pouco e não serem felizes com o que fazem? Tem dia para tudo. Dia de parentes, datas comemorativas, descobrimentos, prevenções, liberações, combates... É impossível existir um dia de nada? Absolutamente nada? Porque as vezes eu me pego pensando em coisas assim. Tudo tem um significado, se dizemos alguma coisa, qualquer pessoa pode interpretá-la ao seu ver. Saem entendimentos absurdos, outros que não chegaram perto da mensagem que queríamos passar. É difícil dizer o nada. Está em uma constante transformação. Certa vez eu vi alguém chorar porque as palavras de um outro a cortaram. Foi crueldade ou fragilidade? Só o que me restou foi dar alguma espécia de conforto. Eu lembro de fatos não tão distantes, mas também não tão recentes. Eles foram intensos, o suficiente para me fazer mudar meu ponto de vista. Realmente, palavras são como gestos, ficam na memória. Diferente das fotografias. Elas desmancham com o tempo, se perdem na lembrança, no passado. Mas o timbre de alguém especial fica, e acaba ficando conhecido. Um tom diferente, ousado, bonito, maluco. Hoje é o dia desse timbre, que venha o rock 'n' roll.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Happy Birthday to you, Ringo Starr.
Engraçado. Essa é uma palavra muito alegre, não é? Ser engraçado é um dom muito bonito. Você consegue fazer a alma das pessoas sorrirem, e elas desejam cada vez mais que isso se repita. Porque quando nos divertimos esquecemos todos os problemas. Nada pode nos dar mais prazer do que rir. E ser bom? Quanto a isso, há variações. Ser bom em algo nem sempre é valorizado, depende muito do ponto de vista de cada um. Viver em luta, participar de coisas eternas, ser reconhecido por alguma característica própria. Isso não lhe parece familiar? Talvez se buscarmos na memória... Não. Não iremos encontrar em nossas memórias, o que é especial não fica no cérebro, mas sim no coração. E vive lá, dorme lá, sorri de lá, mora lá. Sente-se em casa, em seu lar... O mundo passou por tantas mudanças, e ele estava lá. Com seu charme discreto, atrás de uma bateria cujo logo é eterno. Ele não sabia que o sucesso estava mais perto do que as estrelas que tanto queria tocar. Tocá-las não era mais preciso, ele havia se tornado uma. Tão grande, tão brilhante. Com anéis em suas pontas, grandes e exóticos. Hoje, 07 de Julho de 2010 ele completa 70 anos. Bem vividos, conquistados com paz e amor. Porque ele ainda fala disso e não deixará de falar até chegar o dia. Richard Starkey Jr, mais conhecido como Ringo Starr. Parabéns, você é mais do que qualquer baterista ousou a sonhar. Você é o nosso, para sempre e eterno... Ringo Starr.
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