Ai de mim por existir em tal mundo
cheio de ternos e gravatas que sufocam-me a cada dia,
pobre daquele que toma um café de máquina quando tem
vontade de mastigar os grãos enquanto vai para casa.
Ai de mim por ter aqui e somente aqui aquelas tristezas
que refletem num espelho sujo e quebrado.
Por meus irmãos que estão aqui confinados,
que cada capítulo dessa vida miserável seja menos insuportável
que o dia anterior.
Ai de mim por não ser levado a sério, por ter que orgulhar
a quem não quero, pelas notas e não números, pelas palavras
e não salivas orais, pelo amargo teor de realidade.
Ai de mim por não viver de poesia.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Tela viva
Pingos prateados,
manchas cinzas,
fenômeno da natureza auxiliando o processo,
tela bipolar, não para de mudar.
A cada doze horas, passa por uma monocromia
inconstante.
Quadro com alma, pintura surreal?
Não. Só estive olhando para o céu.
manchas cinzas,
fenômeno da natureza auxiliando o processo,
tela bipolar, não para de mudar.
A cada doze horas, passa por uma monocromia
inconstante.
Quadro com alma, pintura surreal?
Não. Só estive olhando para o céu.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Olhos prolixos
Tem dias que eu quero fechar meus olhos e ver o que o mundo tem de tão belo. Fechar os olhos para enxergar não é tão antítese quanto parece, pelo contrário, pessoas que não podem enxergar são capazes de ver através de outros sentidos que se tornam aguçados, deitar as pálpebras em uma derme absoluta não parece ser um breu total, afinal.
Quanto ao meu repouso ocular, não se trata apenas de cochilo. é mais do que isso. Quero contemplar o que há de natural. Ver no escuro não é um bicho de sete cabeças, você pode enxergar manchas ou achar que está vendo fumaça colorida. E acredite, você não precisa de figurinhas de LSD para que isso se transforme em realidade.
O belo está ali para ser desvendado como um bom mistério, Sir. Arthur Conan gostava de imaginá-los muito mais visíveis, pois seu personagem mais famoso conseguia ver coisas que as outras pessoas não poderiam ou que apenas não queriam ver por conforto.
No chão por onde passo há várias pegadas, impressões digitais, cenas de crimes de séculos, há fios de cabelo com DNA de pessoas que eu não conheço. Há um universo paralelo de seres minúsculos, mas é claro que não precisamos ficar de olhos abertos o tempo todo para saber que eles existem.
Uma das coisas que se pode usar quando nossa visão não nos auxilia é o tato. Foi através dele que eu notei que a água é uma boa amiga. Essa substância tão rica que nos é essencial prova sua lealdade cada vez que tomo um banho. Quando estou sentada no box com os joelhos dobrados, as gotículas de água tem duas opções de percurso: Ou elas tocam minha pele e escorrem por ela como uma carícia íntima ou batem em meus joelhos e se dividem. Noto pelos respingos que formam ao lado. Penso que ela é tão leal que em vez de provar de uma liberdade em uma superfície de um box cheio de vapor, ela prefere dividir-se em duas. Para ir embora pela metade e continuar comigo. Como uma despedida eterna, de passos que se vão e que voltam em um ciclo vicioso do qual o termo viagem sempre está distante.
"Olhai por onde passas, os passos que tens tão certos podem não ser corretos. Há uma ponte muito velha da qual a sua visão diz que não pode atravessar. A superfície balança com qualquer brisa, mas ela ainda está intacta. Atravesse, com pressa, com certeza? Claro que não, mas atravesse. Mesmo que alguns pedaços de chão caírem, mesmo que o céu pareça uma enorme janela, mesmo que a cortina seja a sua morte. Mas por teus passos tão certeiros, mais que prolixos, passos teus, passos meus, passos de quem por ali apenas passou"
Quanto ao meu repouso ocular, não se trata apenas de cochilo. é mais do que isso. Quero contemplar o que há de natural. Ver no escuro não é um bicho de sete cabeças, você pode enxergar manchas ou achar que está vendo fumaça colorida. E acredite, você não precisa de figurinhas de LSD para que isso se transforme em realidade.
O belo está ali para ser desvendado como um bom mistério, Sir. Arthur Conan gostava de imaginá-los muito mais visíveis, pois seu personagem mais famoso conseguia ver coisas que as outras pessoas não poderiam ou que apenas não queriam ver por conforto.
No chão por onde passo há várias pegadas, impressões digitais, cenas de crimes de séculos, há fios de cabelo com DNA de pessoas que eu não conheço. Há um universo paralelo de seres minúsculos, mas é claro que não precisamos ficar de olhos abertos o tempo todo para saber que eles existem.
Uma das coisas que se pode usar quando nossa visão não nos auxilia é o tato. Foi através dele que eu notei que a água é uma boa amiga. Essa substância tão rica que nos é essencial prova sua lealdade cada vez que tomo um banho. Quando estou sentada no box com os joelhos dobrados, as gotículas de água tem duas opções de percurso: Ou elas tocam minha pele e escorrem por ela como uma carícia íntima ou batem em meus joelhos e se dividem. Noto pelos respingos que formam ao lado. Penso que ela é tão leal que em vez de provar de uma liberdade em uma superfície de um box cheio de vapor, ela prefere dividir-se em duas. Para ir embora pela metade e continuar comigo. Como uma despedida eterna, de passos que se vão e que voltam em um ciclo vicioso do qual o termo viagem sempre está distante.
"Olhai por onde passas, os passos que tens tão certos podem não ser corretos. Há uma ponte muito velha da qual a sua visão diz que não pode atravessar. A superfície balança com qualquer brisa, mas ela ainda está intacta. Atravesse, com pressa, com certeza? Claro que não, mas atravesse. Mesmo que alguns pedaços de chão caírem, mesmo que o céu pareça uma enorme janela, mesmo que a cortina seja a sua morte. Mas por teus passos tão certeiros, mais que prolixos, passos teus, passos meus, passos de quem por ali apenas passou"
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Whispering noises
Passei a apreciar as noites em claro pelo silêncio terno,
pelas vozes cheias de estresse e cansaço.
É na cama que não ouço, é no berço matutino que não
há problemas maiores que um lençol amassado ou
um travesseiro gelado.
Em prédios cujas luzes ainda se apagam, os passos
são mais lentos, a gentileza floresce às duas horas
para com o vizinho do andar de baixo.
Não se usa salto e secador, usa-se o sussurro
que nem é tão usado, mas que neste período está
ficado em ser somente sussurro e não voz,
um grito não ouvido, soluço comprimido.
A madrugada nunca foi silenciosa.
Só há a vontade de mantê-la calada
na prisão de urros e delírios.
pelas vozes cheias de estresse e cansaço.
É na cama que não ouço, é no berço matutino que não
há problemas maiores que um lençol amassado ou
um travesseiro gelado.
Em prédios cujas luzes ainda se apagam, os passos
são mais lentos, a gentileza floresce às duas horas
para com o vizinho do andar de baixo.
Não se usa salto e secador, usa-se o sussurroque nem é tão usado, mas que neste período está
ficado em ser somente sussurro e não voz,
um grito não ouvido, soluço comprimido.
A madrugada nunca foi silenciosa.
Só há a vontade de mantê-la calada
na prisão de urros e delírios.
sábado, 21 de dezembro de 2013
Would you send me a letter every year?
Há algumas datas que os seres humanos decidem riscar de seu calendário pessoal. Colocam tais datas na categoria trinta de fevereiro. Dias inexistentes que não servem para nada, que não serão somados naquela retrospectiva idiota de final de ano. Alguns dos dias que riscam geralmente estão no patamar de datas indesejadas. Riscar dias de falecimentos de parentes, de aniversários de quem nos magoou muito, ( Riscara o de Yoko por alguns anos) riscar datas comemorativas como o Natal e o Ano novo. Mas não o levem a mal. Santa Klaus também gostava de sua banda, ou deveria. Acabou riscando finais de ano por Linda, ela detestava a matança em massa que o dia de Ação de Graças, o Natal e o Ano novo proporcionava para os animais.
Acabou pensando tudo isso enquanto a água quente descia do chuveiro, o banheiro todo possuía um aspecto de sauna. Quente feito aquelas viagens que George adorava fazer até a Índia. Viajar com os elefantes tinha seu preço, afinal. Mas ele não ligava, era como terapia. E se George estava feliz, Paul também estava. Após se despedir das últimas gotículas de água quente que tocaram sua pele, desligou o chuveiro, se enrolando na toalha da cintura para baixo. Pisou no tapete anti derrapante, (quando os ossos já não colam com tanta facilidade, é sinal de que devemos nos cuidar mais. É por esse maldito tapete que ele sabe que o tempo não para de correr) secando os cabelos rebeldes que teimavam em cair molhados em seu rosto. O espelho do armário a sua frente estava embaçado, coisa que o fez lembrar de alguns filmes que vira semana passada em que um grande assassino seria refletido assim que alguém passasse a mão sobre ele. Porém, decidiu abri-lo antes e escovar os dentes. Depois de terminar e finalmente fechar a porta, seus olhos focaram-se perplexos diante do espelho.
Não havia nenhum assassino refletido, sequer havia desembaçado a superfície. O que estava contemplando era algumas palavras escritas a dedo. Como nos dias em que escrevemos palavras e desenhos nas janelas de carros em dias de chuva. Ali estava a letra a mão de John, com um humor que só ele tinha.
"Piso anti derrapante? Você está velho, meu amigo"
Não respondeu de imediato, não tinha como. Sentia a visão embaçada, mas sabia que aquilo era um sintoma e não mera contemplação daquela sauna, o vapor já havia se dissipado muito. Fechou os olhos e buscou na memória que dia seria aquele. Estavam em outubro... sabia, pois no dia primeiro cancelara uma aparição em algum programa que agora não se lembrara. Sempre seria difícil viver trinta e um dias de agonia. Novembro pelo menos era um mês de calmaria para sua sanidade mental. Que detestável eram aqueles dias em que não podia se trancar em um estúdio e tocar Here today por pelo menos vinte e quatro horas sem pausa. Lembrou-se de Ringo xingando ao final de Revolution, ele deveria saber a sensação de tocar algo por vezes seguidas. Mas a única diferença era que Ringo tocara por necessidade, e Paul por tristeza e saudade.

Antes que tua derme encostasse no vidro prateado, outras palavras se formaram, um pouco menores que as outras. Deveria escrever grande na primeira vez para que não passassem despercebidas, afinal de contas ninguém espera esse tipo de conversa a menos que se tenha muita imaginação.
"Gosto desse dia porque é quando você toca de forma pura. Eu estarei cantando com você ao lado do piano. Sabe de que lado... "
Apressou-se em se trocar, saindo do banheiro as pressas. Ainda com o cabelo pingando, sentou-se em um banquinho, deixando espaço para que John se sentasse. Teclou as primeiras notas, tendo a certeza de que o vento da janela possuía uma voz singular, a voz dele....
Acabou pensando tudo isso enquanto a água quente descia do chuveiro, o banheiro todo possuía um aspecto de sauna. Quente feito aquelas viagens que George adorava fazer até a Índia. Viajar com os elefantes tinha seu preço, afinal. Mas ele não ligava, era como terapia. E se George estava feliz, Paul também estava. Após se despedir das últimas gotículas de água quente que tocaram sua pele, desligou o chuveiro, se enrolando na toalha da cintura para baixo. Pisou no tapete anti derrapante, (quando os ossos já não colam com tanta facilidade, é sinal de que devemos nos cuidar mais. É por esse maldito tapete que ele sabe que o tempo não para de correr) secando os cabelos rebeldes que teimavam em cair molhados em seu rosto. O espelho do armário a sua frente estava embaçado, coisa que o fez lembrar de alguns filmes que vira semana passada em que um grande assassino seria refletido assim que alguém passasse a mão sobre ele. Porém, decidiu abri-lo antes e escovar os dentes. Depois de terminar e finalmente fechar a porta, seus olhos focaram-se perplexos diante do espelho.
Não havia nenhum assassino refletido, sequer havia desembaçado a superfície. O que estava contemplando era algumas palavras escritas a dedo. Como nos dias em que escrevemos palavras e desenhos nas janelas de carros em dias de chuva. Ali estava a letra a mão de John, com um humor que só ele tinha.
"Piso anti derrapante? Você está velho, meu amigo"
Não respondeu de imediato, não tinha como. Sentia a visão embaçada, mas sabia que aquilo era um sintoma e não mera contemplação daquela sauna, o vapor já havia se dissipado muito. Fechou os olhos e buscou na memória que dia seria aquele. Estavam em outubro... sabia, pois no dia primeiro cancelara uma aparição em algum programa que agora não se lembrara. Sempre seria difícil viver trinta e um dias de agonia. Novembro pelo menos era um mês de calmaria para sua sanidade mental. Que detestável eram aqueles dias em que não podia se trancar em um estúdio e tocar Here today por pelo menos vinte e quatro horas sem pausa. Lembrou-se de Ringo xingando ao final de Revolution, ele deveria saber a sensação de tocar algo por vezes seguidas. Mas a única diferença era que Ringo tocara por necessidade, e Paul por tristeza e saudade.

Antes que tua derme encostasse no vidro prateado, outras palavras se formaram, um pouco menores que as outras. Deveria escrever grande na primeira vez para que não passassem despercebidas, afinal de contas ninguém espera esse tipo de conversa a menos que se tenha muita imaginação.
"Gosto desse dia porque é quando você toca de forma pura. Eu estarei cantando com você ao lado do piano. Sabe de que lado... "
Apressou-se em se trocar, saindo do banheiro as pressas. Ainda com o cabelo pingando, sentou-se em um banquinho, deixando espaço para que John se sentasse. Teclou as primeiras notas, tendo a certeza de que o vento da janela possuía uma voz singular, a voz dele....
sábado, 24 de agosto de 2013
Ofélia
A água incolor que saia dos buracos do chuveiro grande e prateado que lhe caía pelos ombros tinha um único destino: o ralo. E ao chegar nele, havia adquirido um tom negro. Seu corpo parecia estar banhado em petróleo, mas tudo o que a cercava por dentro não tinha nenhuma ligação com fortuna. Muito pelo contrário, a palavra miserável era tão gritante em sua mente que ela a murmurou por várias vezes de forma silenciosa, mas de um modo que ela pudesse ouvir e saber que alguma coisa estava sendo colocada para fora além do peso de si mesma.
Observou a prateleira de cosméticos que usava nos cabelos, no canto reluzia uma gilete prateada. Por uma fração de segundos ela pensou... E suas unhas fizeram um corte imaginável em seu pulso. Primeiro no direito, depois no esquerdo. A espuma em seus braços ao seu ver deveria ter sido manchada por vermelho, mas ainda continuava branca. Com os olhos fixos na lâmina, ela se cortava mentalmente.
Quando desligou o chuveiro e se enrolou em uma toalha preta, abriu a porta do box e se olhou no espelho. Atrás ela havia um homem muito alto, com o cabelo preto e pele branquíssima. Ela pensou em gritar, pela mesma fração de segundos que havia pensado ao observar a lâmina no canto da prateleira. Mas dentro de si, sabia que o seu desejo de não ser nada poderia ser atendido.
Virou de frente para ele, que balançava a cabeça de forma negativa.
─ O que é?
Observou a prateleira de cosméticos que usava nos cabelos, no canto reluzia uma gilete prateada. Por uma fração de segundos ela pensou... E suas unhas fizeram um corte imaginável em seu pulso. Primeiro no direito, depois no esquerdo. A espuma em seus braços ao seu ver deveria ter sido manchada por vermelho, mas ainda continuava branca. Com os olhos fixos na lâmina, ela se cortava mentalmente.
Quando desligou o chuveiro e se enrolou em uma toalha preta, abriu a porta do box e se olhou no espelho. Atrás ela havia um homem muito alto, com o cabelo preto e pele branquíssima. Ela pensou em gritar, pela mesma fração de segundos que havia pensado ao observar a lâmina no canto da prateleira. Mas dentro de si, sabia que o seu desejo de não ser nada poderia ser atendido.
Virou de frente para ele, que balançava a cabeça de forma negativa.
─ O que é?
─ Eu não posso matar você.
─ Você lê pensamentos?
─ Não... Mas o seu desejo é bem nítido.
─ De onde você veio?
─ Não vai adiantar eu te explicar, você é cética demais.
─ Hm... ok, senhor Deus.
─ Eu não sou Deus.
─ O que você é?
─ Eu sou um gênio.
─ Que arrogante.
─ Não esse tipo de gênio, o outro tipo.
─ Aquele que sai da lâmpada?
─ É.
─ E onde está a porra da tua lâmpada?
─ Não usamos mais faz tempo.
─ Então não é gênio de lâmpada.
─ Sou.
─ Tá, tanto faz.
─ Você tem três desejos.
─ Por que diabos você veio?
─ Porque você está muito frágil. Está triste. E não é para ficar. Amanhã é um dia muito especial.
─ A puta que te pariu que é.
─ Não seja grossa, minha menina.
─ Eu não sou sua menina.
─ Você está muito triste. Ouve músicas tristes, assiste filmes tristes, lê coisas tristes, observa fotografias tristes. Você está ficando cada vez pior.
─ Se você estivesse em meu lugar, saberia o motivo.
─ Eu sei.
─ Você pode arrumar a minha vida?
─ Não.
─ Hm... você pode me deixar em coma?
─ Em coma?
─ É.
─ Eu não posso fazer mal a ser humano algum.
─ Não irá fazer mal, apenas me deixará em coma.
─ Te deixando em coma não lhe fará bem.
─ Ah, fará...
─ O que planeja?
─ Me atropele.
─ Eu não posso.
─ Caralho, não sabe dirigir?
─ Sei...
─ Não tapetes, carros.
─ Também sei.
─ Então qual é o problema?
─ O problema é que quando você acordar, será muito pior.
─ Tem razão...
─ Você não quer outra coisa? Livros, coisas materiais?
─ Não... Você pode me dar uma máquina do tempo?
─ Não posso te levar para outra dimensão.
─ Mas que caralho de gênio você é?
─ Você é meu anjo da guarda?
─ Não, eu já disse. Eu sou um gênio.
─ Você... pode trazer uma pessoa morta de volta?
─ Não posso. E sei quem gostaria que eu trouxesse.
─ Eu não quero nada. Por que as pessoas insistem em querer me dar alguma coisa que eu não quero? É tão simples. Eu NÃO QUERO NADA!
─ Menina...
Ela pensou por alguns minutos. Eram muito escassos os desejos. Não poderia morrer, não poderia ver os mortos, não poderia voltar ao passado para salvar algumas pessoas de destinos terríveis. O que ela poderia querer? Ela não poderia... morrer.
─ Me apague.
─ Como?
─ Me apague da memória de quem me faz mal.
─ Mas... são muitas pessoas, menina.
─ Por que acha que você veio? Acha que eu estou chateada por que existe um homem que não quer ficar comigo? Me apague.
─ Mas...
─ Me tire deles.
─ E os outros que estão ligados a ti e que nunca te fizeram mal?
─ Me apague da memória deles também.
─ E seus amigos?
─ Deixe como está. Um deles vai entender. Ele sempre entende.
─ E o que você vai fazer sozinha?
─ Eu serei livre.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Metaphor and the hill
E se de repente eu inventasse uma cor que representasse
os seus olhos quando acordaste a primeira vez em toda a vida?
Talvez a partir dessa, outra cor de formaria com o teu despertar
durante todas as manhãs.
Seria minha imaginação tão fértil a ponto de criar uma textura
idêntica a tua derme?
Minhas narinas já me enganaram quando foram até as
montanhas e confundiram seu perfume com as araucárias.
Em aulas de botânica, poderia sentir todos os cheiros ao
vê-las ilustradas em fotografias minimizadas.
Pena que não posso engarrafar tal essência alucinógena.
Queria ter uma caneta tinteiro para tatuar a sua pele
por algumas semanas, borrar alguns desenhos por dentro,
dos quais você pudesse ver quando sentisse minha falta.
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