sábado, 8 de junho de 2013

Sound of man



Sonetos vem e vão,
como chuva de verão que molha
a roupa no varal.

Falam sem dizer nada, mostram que
o sonar é um ato de amor e dor ao
mesmo tempo.

O soneto entra pela janela e me visita,
certa noite pediu para ficar, como recusar
o pedido de um soneto que pede
em forma de cantar?

Na madrugada insana, o soneto
fez poesia, disse coisas loucas e
deitou em minha cama, sonou e
sonou até me ouvir sonhar.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Smiling sheep


A gentileza na conquista
que leva encanto,
é pura invenção do teu silêncio.

E as ladies faz do pranto
rotina de um lenço sujo de cimento
que não seca com o vento sem
se despedaçar.

Se nos dentes vem com sorrisos,
já começa o martírio só de imaginar.
Que no bolso tens um canivete junto
a rosa que está pronta para entregar.

Talvez ninguém repare, mas esses olhos
são líderes de matilhas que dilaceram
as feridas causadas nessa vida de
prazeres e lividez.

Mas se és bandido em pele de mocinho,
E se teu cavalo e tua espada apenas matam
por diversão, não sei se é para ter cuidado,
mas de qualquer maneira não existe
um contrato para saber quem é
bom ou vilão. 


Ovelha sorridente ─ Inspirada no sorriso de Alexandre Kumpinski no clipe "Despirocar" 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Paul McCartney


Ah... se nessa esquina eu o encontrasse,
e falasse de mil coisas sem dizer nada.
Talvez fosse possível que não o amasse tanto,
e não decorasse minhas paredes com suas
poesias.
Quero o abraçar sem nunca mais soltar,
admitindo que é impossível não o amar,
e quem sabe se um dia tocar,
doces acordes a sonar.

domingo, 21 de abril de 2013

Give up, you're an idiot



Onde estão as pessoas que carregavam cartazes nas ruas e proclamavam por alguma coisa que realmente valesse a pena?

Cadê a leveza dos passos de uma geração curiosa que quer ler mais, ouvir mais, saber mais e compreender mais?

Por onde anda o medo de perder algum vínculo com as pessoas queridas, seja por fraqueza ou por simples estupidez? 

Desaparecera os bons tempos em que toque era toque e não mero acaso de affair?

Seria conveniente nos exaltar por uma evolução tecnológica? Mesmo que o orgânico não tenha evoluído tanto assim?

Seriam os novos dialetos normas cultas padrões daquilo que se fala, mas que jamais exprime suas ideias?

Por onde passou a ideologia, que hoje é defendida por status, mas não mais pelos ativismos concretos de rua e calçada?

Se a evolução carece de discernimentos, não quero evoluir. Careço desses tais costumes que me deprimem a cada soneto que escuto de vozes que não querem ser levadas a sério.
Não as levo, mas a triste realidade é que não possuímos fones de ouvidos eternos, e por isso nos submetemos as tristes vergonhas que eles escancaram como se tudo valesse a pena.
O constrangimento de cada dia é interno, os afogo em meu ser para a ocasião de que o único convidado em uma sala pequena e escura seja minha própria personalidade. 

E disserto... 

Eis aqui a dissertação de quem vos fala:

"Hoje sou filha de Thomas Hobbes. Tenho medo das pessoas, agonizo a cada ideia mal tida que eles insistem em ter. Não suporto suas razões tão fúteis e de pouco valor. Eles são a Inquisição e eu sou uma mera protestante. E pelo nome a coisa, quero protestar. Não quero estar neste século, que a penalização seja justa. Nos tornamos predadores de nós mesmos, mas hoje o vazio nas pessoas é mais predominante do que o próprio canibalismo social." 

segunda-feira, 25 de março de 2013

The secret of gray

Um passeio de carro é como um filme inédito. Todos os dias que as rodas percorrem o mesmo asfalto maltratado por tantos outros pneus gastados, o filme será diferente. 
Não importa que horas são ou como está a temperatura climática, as coisas mudam conforme o tempo passa, tudo voa, nada fica para trás, exceto a imagem que acabei de contemplar naquele dia.
Os horários pouco importam já que a sequencias dos fatos sempre podem se alterar, não existe regra e nem mesmo uma estatística capaz de calcular ou prever o que irei ver diante de meus olhos naquela outra manhã cinza.

Gosto das manhãs cinzas porque elas refletem o quão próximo da realidade o mundo se forma. A cor cinza me diz tanta coisa em tão pouco tempo. 
As vilas e favelas se tornam mais pobres e infelizes, a desordem de quintais com lixo acumulado mais preocupante, as árvores que balançam para um lado parecem cansadas de dançar obrigatoriamente. 

A tela transparente que me apresenta a realidade é fria e dura, como o mundo lá fora. Quando está frio, as crianças não estão nos parques brincando com seus balanços ou jogando futebol. As quadras ficam vazias quando não há nem mesmo mendigos para se aconchegar em algum canto com grama macia para deitar. 
Eles sempre escolhem as praças para que seus companheiros possam se juntar a eles, não há rivalidade e nem briga por território, se um deita e o outro não, o acordo não existe e outro paraíso é procurado.

Quando a aurora invade meus olhos cansados pelas poucas horas que estão trabalhando, vejo sempre um senhor de muita idade passeando com seu cachorro. Seu amigo é maior que ele, de pelagem longa e cinza. Embora seja cinza, sua cor não demonstra o mundo real que vejo pelo vidro. A monocromia de seus pelos revela que há muitos anos é bem tratado e que desconhece o mal do mundo. 

Que criatura formidável são os animais quando não imaginam a quantidade de tons que o mundo lhe apresenta de forma pouco cordial, são cores que te estapeiam sem sua permissão. O que há de errado em assistir um documentário real? 

Às vezes não sei se o que vejo é cinema ou teatro lá fora, sei que é uma arte que invade minhas entranhas, deixando-me com uma sensação de invalidez.
Quando um de seus protagonistas aparece, me pergunto se ele não tem um papel fundamental na cena. E é claro que tem, mas por mim ele não pode ser salvo. 

E isso me dói.

Já reprimi essas sensações diante da tela em terceira dimensão, é uma tentativa errônea, nunca podemos abandonar um espetáculo sem antes sentir que ali levamos um pouco deles e deixamos muito de nós.
Deixo meu ser em cada canto que os protagonistas pequeninos estão, quero confortá-los. 
Há manhãs tão gloriosas que o diretor me permite entrar dentro daquele cenário surreal, e então eu posso salvá-los de qualquer fim dramático que esteja escrito no roteiro. 

"Se moedas valessem a dignidade de vosso ser, pergunto: Quanto vales? Se preciso pagar-lhe um dote, por que não me diz o que está cobrando? As prateleiras mostram preços tão altos que não consigo imaginar o quão profundo precisa ser meu bolso para que eu compre um arranha céu. Para que quero alturas? Nas nuvens não posso tocar, na ponta das estrelas não posso me deitar, tampouco da lua posso me alimentar. O que me resta se não queimaduras do sol apresentar? Ou se de tão alto o vento me ferir? Não sei para que tanta altura nessa vida, se no fim todos nós caímos em um único chão." 



domingo, 24 de fevereiro de 2013

What you have in your pocket?


─ Case comigo.
─ Haha, você não fala isso de verdade.
─ Garanto que sim!
─ É, pensando bem eu não duvidaria. Só que tem um problema.
─ Você já é casado?
─ Não, não sou. O problema é que há mais pedidos.
─ Não importa os outros, deixe estar.
─ Você é mesmo uma garota muito bem humorada.
─ Não estou tentando ser engraçada, oras!
─ Eu sei que não, desculpe. Mas é que eu não estava mentindo quando mencionei outros pedidos.
─ Muitos?
─ Muitos.
─ Quantos?
─ Milhares.
─ Milhares?
─ Talvez um pouco menos, mas...bom quase isso.
─ Isso não muda muita coisa.
─ Ah, não? hahaha.
─ Não, oras.
─ E por que não?
─ Você só tem que escolher um. É como entrar numa loja de vinis, há centenas! Mas no fundo você sabe que só precisa de um.
─ Bem interessante essa comparação.
─ E então você me faria uma música.
─ Você quer uma música?
─ Toda garota sonha com uma música. Nem que seja ruim, mas feita para ela ou pelo menos tendo o nome dela.
─ Então quer dizer que você sonha com uma música?
─ Sua.
─ Ah!
─ Você me iguala a todas as outras, não é?
─ Não. Se eu fizesse isso, teria pedido para a segurança te tirar do meu portão agora.
─ ...C -c omo você sabe?
─ Eu estou na sacada.
─ Mas você só fica na sacada quando está compondo.
─ Quem te disse isso?
─ As revistas.
─ Hmm...
─ Você está compondo?
─ Estava.
─ OH MEU DEUS. E então?
─ E então o quê?
─ Como é? A música! Pelo amor de Deus, me diga.
─ Não está terminada ainda, mas... se eu precisasse de alguém 
Já entendi, estou te atrapalhando.

E George sorriu quando ela desligou o telefone.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

They can drink time

Eram mais ou menos seis da tarde. O sol estava lá em cima cobrindo areia e mar, mostrando quem era que deixava as luzes acesas do céu para que as crianças pudessem construir seus castelos de areia. Uma onda vinha e levava tudo. Era como uma lição. Tudo que foi construído com esforço e diversão, um dia será destruído pela natureza. É bom preparar os pequenos, pois os grandes parecem não se importar muito com os ensinamentos que as gerações futuras precisam.

─ Por que você só chega na praia tarde?
─ Tarde? Não é tarde para mim.
─ Mas já passou das cinco.
─ E daí? O horário de verão diz que ainda são cinco. E eu não estou na praia.
─ Estamos numa montanha com areia e água?
─ Não. Estamos no calçadão da praia. Onde as pessoas andam de bicicleta, paqueram e correm com seus animais de estimação.
─ E por que estamos aqui?
─ A areia machuca a minha pele. Tá, pode rir. É mesmo uma viadagem, mas foda-se. Eu não gosto de pisar na areia.
─ Nem sete ondas no mar?
─ Nem isso. Nadar em água, sal, urina e outras coisas que prefiro não lembrar...
─ Mas que fresca!

A brisa começara a ficar mais fria, o fim de tarde se aproximava. Havia pessoas juntando seus guarda sois que já estavam fechados há muito tempo. Não havia necessidade de usá-los, depois de um tempo o sol não queima tanto quanto o do meio dia e o das quatro horas.

─ Você não se queima nem com mormaço, né?
─ Não, eu gosto de manter as coisas iguais. Se eu quiser pegar cor momentânea, uso o tal do bronzer. Hoje a maquiagem te transforma em qualquer pessoa.
E por que você está de óculos de sol?
Porque meus óculos tem esse tom de marrom, mas as lentes são amareladas. E quando os uso, parece que filtro todas as imagens como se estivéssemos no passado. As fotografias de polaroids ou mesmo lomos, sabe? Elas tem aquela cor que hoje chamamos de filtro vintage. Mas é muito bom ver o movimento das pessoas.
─ É estranho isso, eu sempre penso que nos anos setenta, as imagens eram amarelas como nas fotografias.
─ Isso é normal! Quando eu assistia os filmes do Chaplin achava que tudo já foi branco e preto. Existe coisa mais absurda e genial? Imagine tudo com apenas duas cores!
─ Não seria triste?
─ Não, seria clássico...
─ Lembrei de outra coisa.
─ De quê?
─ Das feiras livres. Já pensou isso nos anos setenta? Se tudo fosse amarelo, nas fotos as frutas parecem tão mais saborosas.
─ Sim, dá essa sensação porque sabemos que elas não existem mais. A fotografia é tão divina que te possibilita imortalizar as coisas. É meio masoquista até, você sente saudades e vai lá e a coisa continua lá! Nunca irão inventar algo que faça as coisas saírem das fotos?
─ Não, se não as pessoas não iriam morrer mais.
─ É... no fim todos nós temos que morrer.
─ Dá tempo de tomarmos uma tequila?

"Na linha reta do horizonte os últimos raios de sol se despediam das pessoas. Alguns esperançosos que eles voltassem amanhã, outros com uma tristeza por terem de partir. A despedida da praia nunca será prazerosa, mesmo para aqueles que a frequentam somente durante o fim da tarde. Nenhum outro lugar te oferecerá a liberdade. São tantos grãos, gotas, conchas e seres... Somos nós e esse quadro vivo"